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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Racismo no futebol: a que ponto chegamos?

No dia 28/08 na partida entre Grêmio X Santos pela Copa do Brasil torcedores do Grêmio foram flagrados gritando ofensas racistas para o goleiro Aranha do Santos, chamando-o de macaco. O senso comum, imediato e correto é a criminalização do ato, porém, vamos pensar um pouco.

Quem já foi em jogo sabe que ofensas ao juiz, ao time adversário e aos jogadores adversários são as coisas mais comum que existem. Canta-se para o Fluminense "Ooo, oo, oo oooo time de viado" e para o Flamengo canta-se "ela, ela, ela, silêncio na favela", ambos cânticos preconceituosos, o primeiro se trata de preconceito homofóbico e o segundo de preconceito social, e isso é o de menos, na maioria dos casos há xingamentos diretos aos jogadores; porém, nunca houve uma investigação, uma punição, nem nada do tipo, com exceção, é claro, desse caso envolvendo a torcedora gremista (foto a cima). Um preconceito pode e outro não? Por que? Ao meu ver os casos são passíveis sim de punição civil e futebolística, mas pegar um caso pra pato é idiotice, é pra aparecer.

O povo brasileiro é preconceituoso, no dia-a-dia, tem-se preconceitos com nordestinos aqui no sudeste, tem muitos preconceitos homofóbicos, inclusive na política que "manda" no país, mas o racismo há um medo gritante que aconteça, mas acontece, o Brasil é um país racista, mesmo tentando esconder o passado escravista. "O Brasil é o país da miscigenação", "aqui não tem racismo, racismo é só lá fora", "somos todos macacos"... Tudo mentira... Tudo jargão político. O Brasil é um país racista e preconceituoso sim.

Voltando para o futebol, hoje o Grêmio foi punido, eliminado da Copa do Brasil por causa do ato da torcida. Novamente, na minha opinião, é uma punição passível de ser aplicada sim, e está certo ser aplicada, apóio a punição, o time é responsável pela sua torcida sim, principalmente sendo o mandante. Porém, como disse a cima, pegar o Grêmio pra pato é querer aparecer. Por que não pune também quem chama o Grêmio de Gaymio? E outras coisas também, muito piores que preconceito: a torcida do Corinthians já matou torcedores adversários tanto dentro quanto fora do estádio e o Corinthians nunca foi eliminado de um torneio. Matar pode, xingar não.

Sou contra todo tipo de preconceito, mas pegar um caso pra pato é pura hipocrisia. Pra encerrar:
"Jamais terás a Cruz este é meu batismo
Eu tive que lutar contra o teu racismo
Camisas Negras que guardo na memória
Glórias, lutas, vitórias essas é minha história [...]
Eu que lutei por negros e operários
Te enfrentei, venci, fiz São Januário [...]"

sexta-feira, 25 de julho de 2014

De Pelé à Fred

Quem é o melhor time do mundo na atualidade, eu lhe pergunto. Com certeza a resposta de vocês, leitores, será Barcelona, Real Madrid, Bayern München... E nos últimos 10/15 anos quais os melhores times do mundo? Novamente a resposta incluirá esses 3, talvez uns opinem também o meu Manchester United (eu sou Red Devil e Cruzmaltino, pra quem não me conhece), alguns falarão também Milan, Borussia Dortmund... E NENHUM TIME BRASILEIRO. A menos, é claro, aqueles clubistas fanáticos que torcem pro Vasco e acham que esse time atual ganharia do Barcelona de goleada, fácil, fácil... Isso acontece em todos os times, mas não estou falando desses torcedores.

Nenhum time brasileiro!

Mas nem sempre foi assim.
De 48 ao fim da década de 50 o Vasco era o melhor time do mundo. Do fim da década de 50 e por toda década de 60 o Santos era o melhor time do mundo. Nesses anos tinha o Botafogo também muito cotado. Entre 1950 e 1970, período dessa hegemonia dos times brasileiros o Brasil disputou 6 Copas e ganhou 3. O melhor aproveitamento de uma seleção até hoje* - 50% dos títulos em 6 Copas disputadas.

Mas, por que isso acabou? O que aconteceu na década de 70 que mudou esse panorama? A resposta é fácil: o governo começou a intervir no esporte, apoiado pela Globo, que só noticiava o que interessava ao governo. Essa intervenção colocou times muito fracos disputando o torneio (isso aconteceu porque o governo estava colocando no c* do povo uma jeba senegalesa, então, o futebol fazia as pessoas não pensarem no país... Alienava o povo. Entraram times muito fracos, porque o governo colocou equipes do norte e do centro-oeste, que na época eram muito fracas, para disputar o campeonato nacional junto dos "grandes"). O futebol se enfraqueceu com isso pelo mesmo motivo que hoje os estaduais enfraquecem os times: não é preciso estar com uma equipe muito boa pra ir ganhando desses times, logo, há um desleixo na preparação dos times.

Esse cenário só foi piorando com o passar dos tempos. O ultimo grande time que teve no Brasil, que pode ser considerado o melhor do mundo em sua época foi o Flamengo do início da década de 80. A mídia já interferia nessa época... Começaram a se criar "jogadores bons pra imprensa", que no campo não rendia o que a Globo dizia. Porém, mesmo nesse cenário o Flamengo foi um time que olhou pra base, montou um time criado no clube, e tem todos os méritos.

E a bola de neve foi crescendo.

Vocês vão dizer que isso não está certo, já que o Brasil ganhou a Copa em 94 e 2002. Sim, está certo. Ganhou sim, mas ganhou no talento individual. Não tinha mais um grande time. Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo foram muito bons, excelentes jogadores.

Na década de 90, após o fim da ditadura, a corrupção cresce no Brasil e invade a CBF. O futebol começa a ser sucateado, sempre com conivência da Globo, que ainda vai mascarando os fatos. Ainda tinha uma sobre-vida, pois alguns times ainda olhavam pra base, formavam jogadores e montavam um time competitivo com esses juvenis. O último** exemplo de 'olhar pra base' no futebol brasileiro foi o Vasco, campeão da Libertadores em 98.

Na década de 2000 os dirigentes do futebol brasileiro conseguiram seu objetivo: encher seus bolsos de dinheiro. Esse dinheiro desviado dos clubes faz grande falta. Para se manter os times tem que vender um juvenil promissor pra Europa, e não montam mais times com crias da casa... O dinheiro fica escasso, pois há o superfaturamento de preços, tanto de jogadores como de outros itens ligados ao esporte. Os clubes brasileiros faliram.

Já não da mais pra olhar pra base, fazer peneiras, montar um time com garotos, feito os alemães fazem agora, pois os times brasileiros não tem dinheiro nem pra manter o profissional.
Eu comecei essa time-lime falando do Vasco e vou terminar falando do Vasco: em 50 tinha Eli, Danilo, Jorge e Bellini. Hoje não tem nem água.

Só sobrou uma coisa no Brasil: ainda produz bons jogadores. Não produz mais times, só jogadores espalhados, mas ainda produz excelentes jogadores. E hoje produz em quantidade muito menor do que no começo dos anos 2000. Por essa linha do tempo da pra ver que a quantidade de coisas boas no futebol brasileiro é menor a cada ano que passa... É bom a CBF abrir o olho.

Em meio a todo esse cenário ainda teve gente que se espantou com o 7 X 1 da Alemanha em cima do Brasil na semifinal da Copa, e outros, ainda mais hipócritas, tentando arrumar desculpas esfarrapadas.

É preciso mudar tudo no futebol brasileiro, mas com essa turma de ladrões na CBF e ainda a conivência da TV aberta, o futebol no Brasil vai afundando junto de todo o resto no país.

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* das 6 Copas que disputou entre 50 e 70 o Brasil ganhou 3 - 50%. Essa não é uma porcentagem de conquistas maior que a da Itália (66,6% entre 1930 e 1938), mas ganhou mais títulos que a Itália do pré-guerra, por isso melhor aproveitamento.

** falei que o Vasco em 98 tinha sido o último time a olhar pra base e você pode estar discordando de mim por causa do Santos de Robinho e depois o Santos de Neymar. Mas eu falei isso porque o Vasco conseguiu manter esses jogadores jogando em alto nível no seu time principal. O Santos, nesses dois casos (Robinho e Neymar) teve que vender seus jogadores pra Europa muito cedo para. Por isso não classifiquei esses dois Santos como dois times da base, e sim os inseri na frase "o Brasil ainda produz bons jogadores".

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Momento para repensar o futebol brasileiro

Essa Copa do Mundo precisa servir de reflexão para o futebol no Brasil. Não exclusivamente para a seleção brasileira, e sim, para o futebol como um todo. O 7 X 1 que o Brasil levou da Alemanha nas semis é reflexo da baixíssima qualidade do futebol jogado aqui.

Começando pelas categorias de base - cade as peneiras pra descobrir talentos? Quando um jogador bom é descoberto, cade o apoio do clube formador para que a família do garoto possa mantê-lo jogando? Cade as competições de base de qualidade? Cade os campeonatos regionais (por bairro) entre as escolas, campeonatos observados por olheiros dos clubes, para tentar descobrir novos talentos? No Brasil não tem isso, mas precisa ter. Em outros países tem.

O que tem no Brasil? Um campeonato estadual de 4 meses, completamente desnecessário, no qual os clubes tidos como grande tem jogos fáceis, porém sem jogar bem, tem jogos fáceis porque os 'pequenos' são horrorosos; e quando o campeonato nacional começa, se tem uma liga nivelada por baixo, que todos acham que está boa, mas não tem qualidade nenhuma - é um campeonato equilibrado por não haver time bom, não é um campeonato equilibrado pelos motivos do campeonato inglês - vários times muito bons e alguns não tão bons mas, no mínimo, bem montados.

Isso pra não falar da Copa do Brasil, que, em um país que tem mais de 500 times é disputada por, apenas, 80 e poucos; e pior de tudo, disputada em dois jogos, o que tira a chance dos 'grandes' serem eliminados. Os times precisam ser derrotados para aprender... Perder na vida nos faz evoluir, nós aprendemos com os erros, mas no futebol brasileiro parece que é o contrário - a cada erro, erra-se mais.

A arbitragem brasileira é horrorosa, encostou é falta, o jogo não tem dinâmica. Isso se fez sentir na Copa: vários lances os brasileiros abdicaram de seguir com a bola para tentar cavar um pênalti. A mídia contribui para o estado do futebol brasileiro. Quando eu falo mídia, estou falando da mídia aberta, pois as únicas emissoras que falam a verdade são as de TV fechada, mas essas são menos assistidas. A TV aberta faz a mente das pessoas: um carrinho lateral na bola que é marcado falta, o comentarista da Globo diz que foi falta, mas não foi, foi na bola, e o cara que falou sabe disso, mas aí o povo acredita. Chega na Copa, tem um ombro a ombro na área, o brasileiro se joga a torcida inteira quer pênalti... Não foi falta! Também lances que são marcados deliberadamente para prejudicar um time ou outro, são apoiados. E sobre a mídia, não só com relação a arbitragem... Aonde já se viu falar que Felippe Bastos chuta bem? Eu já ouvi isso na televisão. Se o comentarista está falando bem do Bastos, então, o garoto que está assistindo pensa, quero ser um jogador igual a ele - grandes merda pro futebol brasileiro, ser alguém que não acerta um passe e não da um chute na direção do gol.

Times favorecidos - times que não podem cair por causa do patrocínio da TV e conseguem os meios mais escandalosos de ficar na primeira divisão; títulos vergonhosamente roubados, não com erros de arbitragem, coisas que todo mundo vê que foi roubado - mas porque isso? Simples, a TV paga mais (e muito mais a diferença de patrocínio de TV de um time pro outro no mesmo campeonato é gritante) pro time A, quem tem que ganhar é o time A. E o que isso gera? Isso gera que jogadores feito Fred são vistos como bons, vão pra seleção... E todo mundo viu o que acontece quando jogadores do nível dele vão para a seleção.

Eu falei aqui no blog na prévia que eu escrevi dia 11 de junho, antes da Copa começar que o Felipão é mascarado e o Fred fraco... Mas não, vamos continuar achando que está tudo bem e acreditando no que a TV aberta fala, o futebol vai muito pra frente assim. Só que não vai.

- É preciso voltar a criar talentos;
- ter ingressos mais baratos;
- planos de sócios acessíveis;
- trazer o torcedor para dentro do estádio e para dentro da administração do time, pois quem ama o clube é o torcedor, não é o cartola não, o cartola só pensa em dinheiro;
- parar de criar craques da boca pra fora, esses jogadores criados pela mídia. Craque é Robben, CR7, Messi, era o Pelé, Ronaldo, Garrincha. O Ganso não é craque. O Ganso e outros são apenas jogadores comuns, que a imprensa quer que tenha nome - jogadores comuns que não resolvem nada;
- igualar as equipes, em taxa de patrocínio de TV, para que todas evoluam, e os clubes não tenham que vender um bom júnior pra Ucrânia pra ter dinheiro e concorrer com um time que ganha o triplo de taxa de TV;
- manter os juvenis mais tempos no país... Os times tem dinheiro, podem pagar salário para um grande jogador. Quem está no sub-13 hoje no Brasil tem que ter como objetivo de carreira, como seu sonho jogar no Vasco, no Flamengo, no Corinthians... Não no Barcelona. Quem tem que sonhar em jogar no Barcelona são os espanhóis;

Quando tudo isso e mais várias coisas, como calendário, respeitar as datas FIFA, e outras coisas melhorarem, aí sim poderemos pensar em melhorar a seleção brasileira. Em inovar - o Brasil ficou 99 anos jogando no 4-4-2. Reclamava-se que não inovava, o Felipão mudou pra 4-2-3-1 que mudança gigantesca! Como somos idiotas e alienados! Nenhuma jogada, nada. Apenas a escalação um pouquinho diferente.

Tudo isso e mais tem que mudar, mas não acredito que mude, pois o brasileiro é bom de bola, e aos trancos e barrancos vai arrancando alguns títulos, arrumando desculpas esfarrapadas pras derrotas e tapando o Sol com a peneira, enquanto isso, a máfia da CBF vai metendo a mão, desviando dinheiro e destruindo o futebol brasileiro. Daqui a pouco o brasileirão volta, vai se esquecer o que aconteceu na Copa com o Brasil até a próxima porrada, e ela vai vir... Não pense que esse 7 X 1 da Alemanha foi o ápice porque não foi... Vem mais por aí... Aí, talvez na próxima porrada o Brasil acorde... Eu espero que acorde logo, e mude logo, e essa nova porrada não venha a se concretizar, mas aqui o dinheiro correndo por fora é mais importante.