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sexta-feira, 25 de julho de 2014

De Pelé à Fred

Quem é o melhor time do mundo na atualidade, eu lhe pergunto. Com certeza a resposta de vocês, leitores, será Barcelona, Real Madrid, Bayern München... E nos últimos 10/15 anos quais os melhores times do mundo? Novamente a resposta incluirá esses 3, talvez uns opinem também o meu Manchester United (eu sou Red Devil e Cruzmaltino, pra quem não me conhece), alguns falarão também Milan, Borussia Dortmund... E NENHUM TIME BRASILEIRO. A menos, é claro, aqueles clubistas fanáticos que torcem pro Vasco e acham que esse time atual ganharia do Barcelona de goleada, fácil, fácil... Isso acontece em todos os times, mas não estou falando desses torcedores.

Nenhum time brasileiro!

Mas nem sempre foi assim.
De 48 ao fim da década de 50 o Vasco era o melhor time do mundo. Do fim da década de 50 e por toda década de 60 o Santos era o melhor time do mundo. Nesses anos tinha o Botafogo também muito cotado. Entre 1950 e 1970, período dessa hegemonia dos times brasileiros o Brasil disputou 6 Copas e ganhou 3. O melhor aproveitamento de uma seleção até hoje* - 50% dos títulos em 6 Copas disputadas.

Mas, por que isso acabou? O que aconteceu na década de 70 que mudou esse panorama? A resposta é fácil: o governo começou a intervir no esporte, apoiado pela Globo, que só noticiava o que interessava ao governo. Essa intervenção colocou times muito fracos disputando o torneio (isso aconteceu porque o governo estava colocando no c* do povo uma jeba senegalesa, então, o futebol fazia as pessoas não pensarem no país... Alienava o povo. Entraram times muito fracos, porque o governo colocou equipes do norte e do centro-oeste, que na época eram muito fracas, para disputar o campeonato nacional junto dos "grandes"). O futebol se enfraqueceu com isso pelo mesmo motivo que hoje os estaduais enfraquecem os times: não é preciso estar com uma equipe muito boa pra ir ganhando desses times, logo, há um desleixo na preparação dos times.

Esse cenário só foi piorando com o passar dos tempos. O ultimo grande time que teve no Brasil, que pode ser considerado o melhor do mundo em sua época foi o Flamengo do início da década de 80. A mídia já interferia nessa época... Começaram a se criar "jogadores bons pra imprensa", que no campo não rendia o que a Globo dizia. Porém, mesmo nesse cenário o Flamengo foi um time que olhou pra base, montou um time criado no clube, e tem todos os méritos.

E a bola de neve foi crescendo.

Vocês vão dizer que isso não está certo, já que o Brasil ganhou a Copa em 94 e 2002. Sim, está certo. Ganhou sim, mas ganhou no talento individual. Não tinha mais um grande time. Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo foram muito bons, excelentes jogadores.

Na década de 90, após o fim da ditadura, a corrupção cresce no Brasil e invade a CBF. O futebol começa a ser sucateado, sempre com conivência da Globo, que ainda vai mascarando os fatos. Ainda tinha uma sobre-vida, pois alguns times ainda olhavam pra base, formavam jogadores e montavam um time competitivo com esses juvenis. O último** exemplo de 'olhar pra base' no futebol brasileiro foi o Vasco, campeão da Libertadores em 98.

Na década de 2000 os dirigentes do futebol brasileiro conseguiram seu objetivo: encher seus bolsos de dinheiro. Esse dinheiro desviado dos clubes faz grande falta. Para se manter os times tem que vender um juvenil promissor pra Europa, e não montam mais times com crias da casa... O dinheiro fica escasso, pois há o superfaturamento de preços, tanto de jogadores como de outros itens ligados ao esporte. Os clubes brasileiros faliram.

Já não da mais pra olhar pra base, fazer peneiras, montar um time com garotos, feito os alemães fazem agora, pois os times brasileiros não tem dinheiro nem pra manter o profissional.
Eu comecei essa time-lime falando do Vasco e vou terminar falando do Vasco: em 50 tinha Eli, Danilo, Jorge e Bellini. Hoje não tem nem água.

Só sobrou uma coisa no Brasil: ainda produz bons jogadores. Não produz mais times, só jogadores espalhados, mas ainda produz excelentes jogadores. E hoje produz em quantidade muito menor do que no começo dos anos 2000. Por essa linha do tempo da pra ver que a quantidade de coisas boas no futebol brasileiro é menor a cada ano que passa... É bom a CBF abrir o olho.

Em meio a todo esse cenário ainda teve gente que se espantou com o 7 X 1 da Alemanha em cima do Brasil na semifinal da Copa, e outros, ainda mais hipócritas, tentando arrumar desculpas esfarrapadas.

É preciso mudar tudo no futebol brasileiro, mas com essa turma de ladrões na CBF e ainda a conivência da TV aberta, o futebol no Brasil vai afundando junto de todo o resto no país.

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* das 6 Copas que disputou entre 50 e 70 o Brasil ganhou 3 - 50%. Essa não é uma porcentagem de conquistas maior que a da Itália (66,6% entre 1930 e 1938), mas ganhou mais títulos que a Itália do pré-guerra, por isso melhor aproveitamento.

** falei que o Vasco em 98 tinha sido o último time a olhar pra base e você pode estar discordando de mim por causa do Santos de Robinho e depois o Santos de Neymar. Mas eu falei isso porque o Vasco conseguiu manter esses jogadores jogando em alto nível no seu time principal. O Santos, nesses dois casos (Robinho e Neymar) teve que vender seus jogadores pra Europa muito cedo para. Por isso não classifiquei esses dois Santos como dois times da base, e sim os inseri na frase "o Brasil ainda produz bons jogadores".

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Über alles in der Welt


Alemanha, Alemanha, acima de todos, acima de todos no mundo, diz a primeira estrofe da "Deutsches Sang", a canção dos alemães, música esta cuja sua terceira estrofe é o hino da Alemanha, hino entoado sete vezes nos gramados brasileiros - seis vitórias e um empate - e a Alemanha se sagrou campeã do mundo pela quarta vez em sua história; primeira vez depois da unificação, já que os três títulos anteriores foram conquistados pela Alemanha Ocidental, no fatídico período que o país esteve dividido por causa da Guerra Fria.

Sobre a unificação alemã também é importante dizer que os dois primeiros jogadores à defender a seleção alemã em Copas do Mundo, que nasceram após a unificação foram Schürrle e Götze. Götze marcou o gol do título. Schürrle deu o passe para o gol de Götze. Deixemos a 'simbologia' da unificação de lado, e falemos, agora, de futebol.

O título da Alemanha foi construído a partir de um trabalho voltado para as categorias de base. Após a derrota na final em 2002 no Japão contra o Brasil, os alemães olharam para o seu futebol e buscaram corrigir o que estava errado. O resultado foi que historicamente a Alemanha focava muito o aspecto físico, deixando muitas vezes a técnica de lado. Houve uma reformulação completa, desde as categorias de base dos clubes, até o campeonato nacional, a Bundesliga, que é hoje, sem sombra de dúvidas, um dos três melhores campeonatos nacionais do mundo.

Esse título premia a inovação, premia o trabalho sério e o reinvento do futebol em uma das maiores nações futebolísticas do mundo. Apesar de não ser a maior campeã mundial, pelo menos por enquanto, a Alemanha é o time mais regular em Copas. Sempre compete em alto nível, sempre tem time pra ganhar. E agora mais do que nunca. A Alemanha hoje joga o tão falado futebol arte. A Alemanha joga bem e bonito, já há alguns anos, mesmo tendo batido na trave e não ganhando títulos, já é a há alguns anos a potência que mostrou ser no Brasil.

Eu não uso chapéu (Kung Lao não curtiu isso), mas filosoficamente, tiro o meu chapéu para o futebol alemão, para seu campeonato nacional, suas equipes e seus jogadores.

Posso também falar do extra campo, da simpatia, do carisma e da humildade demonstrado pelos jogadores alemães aqui no Brasil. Nesses fatores, os alemães também venceram a Copa... E venceram de goleada. Posso também citar a Alemanha como país, já que é um país que passou por vários desafortunos durante sua história e hoje é uma das maiores potências mundiais em várias coisas, como economia, política, educação, etc, mas esse é um blog de futebol. Não quero fugir ao tema.

Neuer, Weidenfeller, Zieler, Lahm, Hummels, Boateng, Durm, Großkreutz, Höwedes, Mertesacker, Mustafi, Draxler, Ginter, Khedira, Kroos, Thomas Müller, Özil, Schweinsteiger, Götze, Kramer, Schürrle, Podolski e Klose escreveram seu nome na história - foram tetra campeões do mundo, conquistaram um título anteriormente conquistado por nomes como Beckenbauer e Mathäus. E mereceram tudo o que conquistaram, isso que é o mais importante de dizer. Mereceram.

Também cito na lista desses nomes Reus e Gündogan, que são excelentes jogadores, mas foram cortados por lesão antes da Copa. Esses dois também fazem parte desse título, aliás, toda a Alemanha faz parte desse título. Reus foi homenagedo por seu amigo Götze, que na 'foto dos campeões' (ao lado) exibiu sua camisa. Götze e Reus são representativos desse novo futebol alemão, são jogadores de técnica pura. Técnica pura, mas sem esquecer a entrega pro time e o jogo tático.

Pra fechar, só a nível de curiosidade, todos os times que foram tetra ganharam o tetra 24 anos depois do tri. Itália, Brasil e Alemanha. O Brasil foi penta oito anos depois do tetra... Quem sabe em 2022 isso também se repete e a Alemanha conquista mais um. Eu não posso prever o futuro, mas posso afirmar que esse trabalho que se iniciou na Alemanha em 2002 já está rendendo frutos, e tem tudo pra render muito mais.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Momento para repensar o futebol brasileiro

Essa Copa do Mundo precisa servir de reflexão para o futebol no Brasil. Não exclusivamente para a seleção brasileira, e sim, para o futebol como um todo. O 7 X 1 que o Brasil levou da Alemanha nas semis é reflexo da baixíssima qualidade do futebol jogado aqui.

Começando pelas categorias de base - cade as peneiras pra descobrir talentos? Quando um jogador bom é descoberto, cade o apoio do clube formador para que a família do garoto possa mantê-lo jogando? Cade as competições de base de qualidade? Cade os campeonatos regionais (por bairro) entre as escolas, campeonatos observados por olheiros dos clubes, para tentar descobrir novos talentos? No Brasil não tem isso, mas precisa ter. Em outros países tem.

O que tem no Brasil? Um campeonato estadual de 4 meses, completamente desnecessário, no qual os clubes tidos como grande tem jogos fáceis, porém sem jogar bem, tem jogos fáceis porque os 'pequenos' são horrorosos; e quando o campeonato nacional começa, se tem uma liga nivelada por baixo, que todos acham que está boa, mas não tem qualidade nenhuma - é um campeonato equilibrado por não haver time bom, não é um campeonato equilibrado pelos motivos do campeonato inglês - vários times muito bons e alguns não tão bons mas, no mínimo, bem montados.

Isso pra não falar da Copa do Brasil, que, em um país que tem mais de 500 times é disputada por, apenas, 80 e poucos; e pior de tudo, disputada em dois jogos, o que tira a chance dos 'grandes' serem eliminados. Os times precisam ser derrotados para aprender... Perder na vida nos faz evoluir, nós aprendemos com os erros, mas no futebol brasileiro parece que é o contrário - a cada erro, erra-se mais.

A arbitragem brasileira é horrorosa, encostou é falta, o jogo não tem dinâmica. Isso se fez sentir na Copa: vários lances os brasileiros abdicaram de seguir com a bola para tentar cavar um pênalti. A mídia contribui para o estado do futebol brasileiro. Quando eu falo mídia, estou falando da mídia aberta, pois as únicas emissoras que falam a verdade são as de TV fechada, mas essas são menos assistidas. A TV aberta faz a mente das pessoas: um carrinho lateral na bola que é marcado falta, o comentarista da Globo diz que foi falta, mas não foi, foi na bola, e o cara que falou sabe disso, mas aí o povo acredita. Chega na Copa, tem um ombro a ombro na área, o brasileiro se joga a torcida inteira quer pênalti... Não foi falta! Também lances que são marcados deliberadamente para prejudicar um time ou outro, são apoiados. E sobre a mídia, não só com relação a arbitragem... Aonde já se viu falar que Felippe Bastos chuta bem? Eu já ouvi isso na televisão. Se o comentarista está falando bem do Bastos, então, o garoto que está assistindo pensa, quero ser um jogador igual a ele - grandes merda pro futebol brasileiro, ser alguém que não acerta um passe e não da um chute na direção do gol.

Times favorecidos - times que não podem cair por causa do patrocínio da TV e conseguem os meios mais escandalosos de ficar na primeira divisão; títulos vergonhosamente roubados, não com erros de arbitragem, coisas que todo mundo vê que foi roubado - mas porque isso? Simples, a TV paga mais (e muito mais a diferença de patrocínio de TV de um time pro outro no mesmo campeonato é gritante) pro time A, quem tem que ganhar é o time A. E o que isso gera? Isso gera que jogadores feito Fred são vistos como bons, vão pra seleção... E todo mundo viu o que acontece quando jogadores do nível dele vão para a seleção.

Eu falei aqui no blog na prévia que eu escrevi dia 11 de junho, antes da Copa começar que o Felipão é mascarado e o Fred fraco... Mas não, vamos continuar achando que está tudo bem e acreditando no que a TV aberta fala, o futebol vai muito pra frente assim. Só que não vai.

- É preciso voltar a criar talentos;
- ter ingressos mais baratos;
- planos de sócios acessíveis;
- trazer o torcedor para dentro do estádio e para dentro da administração do time, pois quem ama o clube é o torcedor, não é o cartola não, o cartola só pensa em dinheiro;
- parar de criar craques da boca pra fora, esses jogadores criados pela mídia. Craque é Robben, CR7, Messi, era o Pelé, Ronaldo, Garrincha. O Ganso não é craque. O Ganso e outros são apenas jogadores comuns, que a imprensa quer que tenha nome - jogadores comuns que não resolvem nada;
- igualar as equipes, em taxa de patrocínio de TV, para que todas evoluam, e os clubes não tenham que vender um bom júnior pra Ucrânia pra ter dinheiro e concorrer com um time que ganha o triplo de taxa de TV;
- manter os juvenis mais tempos no país... Os times tem dinheiro, podem pagar salário para um grande jogador. Quem está no sub-13 hoje no Brasil tem que ter como objetivo de carreira, como seu sonho jogar no Vasco, no Flamengo, no Corinthians... Não no Barcelona. Quem tem que sonhar em jogar no Barcelona são os espanhóis;

Quando tudo isso e mais várias coisas, como calendário, respeitar as datas FIFA, e outras coisas melhorarem, aí sim poderemos pensar em melhorar a seleção brasileira. Em inovar - o Brasil ficou 99 anos jogando no 4-4-2. Reclamava-se que não inovava, o Felipão mudou pra 4-2-3-1 que mudança gigantesca! Como somos idiotas e alienados! Nenhuma jogada, nada. Apenas a escalação um pouquinho diferente.

Tudo isso e mais tem que mudar, mas não acredito que mude, pois o brasileiro é bom de bola, e aos trancos e barrancos vai arrancando alguns títulos, arrumando desculpas esfarrapadas pras derrotas e tapando o Sol com a peneira, enquanto isso, a máfia da CBF vai metendo a mão, desviando dinheiro e destruindo o futebol brasileiro. Daqui a pouco o brasileirão volta, vai se esquecer o que aconteceu na Copa com o Brasil até a próxima porrada, e ela vai vir... Não pense que esse 7 X 1 da Alemanha foi o ápice porque não foi... Vem mais por aí... Aí, talvez na próxima porrada o Brasil acorde... Eu espero que acorde logo, e mude logo, e essa nova porrada não venha a se concretizar, mas aqui o dinheiro correndo por fora é mais importante.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

“Vamos causar algumas dificuldades à Alemanha"


      Bom, realmente não farei um resumo de como foi o jogo, pois será desnecessário. Então voltemos um pouco, mais especificamente na entrevista do técnico brasileiro, um dia antes do massacre.

    "Temos que respeitar a equipe da Alemanha, por tudo que faz e joga, mas não podemos respeitar sem nos impor e colocar nossa maneira de jogar, já definimos no nosso treinamento. Vamos causar algumas dificuldades à Alemanha", afirmou ele.

     Ao analisar podemos perceber equívocos nessa declaração. Primeiramente, “Já definimos no nosso treinamento”, essa escalação nunca foi testada em jogos e nem em treinamentos, ou seja, um time despreparado para uma semifinal de copa do mundo.

     “Mas não podemos respeitar sem nos impor e colocar nossa maneira de jogar”, é a seleção realmente tem uma forma de jogar, apenas uma. Um time sem variação tática joga contra a Alemanha, do mesmo jeito que jogou contra o Japão na copa das confederações. Mostra um time limitado e que ganha à maioria dos jogos com a vontade.

     Realmente, tive mais esperanças de que o Brasil poderia equilibrar mais o jogo com o corte do Neymar na copa. Porém, ao ver a escalação já imaginava uma goleada, não dessa forma, mas uma goleada mais singela. Pois o Felipão perdeu uma ótima oportunidade de alterar o time, fazer algo semelhante ao que o criticado pelo mesmo, faz pela Holanda. Van Gaal posiciona seu time de acordo com o adversário, ou seja, reconhece a inferioridade e recua o time, jogando no contra-ataque, como jogou contra a Espanha. O Brasil não se preparou para jogar contra a Alemanha, pois era analisar como o Real Madrid jogou contra o Shalcke04, Borussia Dortmund e principalmente contra o Bayern de Munique. O Löw não é um excelente técnico, pelo contrário, escalou mal boa parte da competição e continua escalando um zagueiro na lateral esquerda.

       Ao meu ver, a escalação do Hernanes era providencial para esse jogo, tem um bom chute, congestionaria o meio campo e tem um passe mais qualificado. Mais uma vez, o Oscar foi “sacrificado” nessa era Felipão, ele além de ter a responsabilidade de cria as jogadas, deve acompanhar na marcação para cobrir o lateral. Além de tira-lo das partidas, “queima” o jogador com a torcida, assim como fez com o Fred ao ser substituído durante a partida, em vez de trocar no intervalo para preservar o mesmo, que já é bem criticado (com razão).

      Enfim, essa derrota é para despertar, pois foi dessa forma que a Alemanha revolucionou seu modo de jogo, Hoje sai um excelente jogador, e entra outro com qualidade semelhante. A seleção sofreu com a perda do Neymar, mas ninguém fala dos inúmeros desfalques da Alemanha nessa copa. Enquanto vivermos com o discurso de que temos 5 títulos mundiais, nossos campeonatos continuarão ridículos, apenas berço para a criação de um ou outro jogador para times europeus. Nada melhor essa frase para começar e terminar esse texto.

                        “Vamos causar algumas dificuldades à Alemanha"

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Perspectiva para o resto da copa


      Com o fim da primeira fase, tivemos grandes surpresas e decepções. Vimos uma seleção surpreender o mundo atropelando duas seleções campeãs mundiais, a Costa Rica, e uma decepção, a dona dos últimos grandes títulos e país do último campeão da “Champions”.

     Primeiramente, antes de a copa começar, selecionávamos cinco seleções como as favoritas, são elas: Brasil, Espanha, Alemanha, Argentina e Itália. Duas já foram eliminadas e tirando o primeiro jogo da Alemanha, todas apresentaram um futebol fraco e sem consistência, em que dependem demais de seus principais jogadores. Mesmo com o apoio da torcida a seleção brasileira não empolgou e apresenta grandes problemas em seu esquema tático, e é discutível o rendimento, das escolhas de Felipão.  A Argentina está sobrevivendo pelo talento de seu astro, Messi que vem decidindo todas as partidas. O mesmo não pode ser dito da seleção portuguesa que com seu limitado elenco sofre com inúmeras lesões e um fraco desempenho de Cristiano Ronaldo, e principalmente de João Moutinho, o motorzinho do time, ele faz com que a bola chegue para CR7 e Cia.

     O mesmo não pode ser dito para Colômbia, que faz uma excelente copa, apesar de não contar com, Falcão, o astro da seleção e do Mônaco, com um futebol leve e vistoso, dona do melhor ataque e do melhor jogador da copa até agora, James Rodriguez. Outra grata surpresa é a Costa Rica que caiu no “grupo da morte” e sobreviveu com os mesmos pontos que o Brasil em seu grupo. Eliminando a Itália e a Inglaterra, vencendo o Uruguai chega as oitavas como favorita contra a Grécia. “Chi chi chi le le le”, sim eles passaram e mostraram que quando um time entra em sincronia com um técnico de qualidade, o trabalho tem bons frutos e reconhecimento, Sampaoli mostrou que sua filosofia de jogo pode ser o futuro próximo da “moda tática” no futebol mundial. Porém, o preço é uma necessidade exagerada da forma física de seus jogadores, e em final de temporada pode ser um risco para a seleção chilena. A Argélia se mostrou a equipe africana mais forte à frente da Nigéria, com muita força ofensiva e uma zaga forte.

    Das seleções europeias, Holanda, França e Grécia são equipes que podem se orgulhar pela primeira fase. França e Holanda encaixaram seu jogo e entraram muito bem na copa, a Holanda se adapta ao time que estiver enfrentando, já a seleção francesa se mostrou sólida defensivamente e tem um ataque muito forte e veloz. A Grécia passa de fase em copas do mundo pela primeira vez, graças a um pênalti no final do jogo contra a Costa do Marfim.

     Brasil, Alemanha e Argentina, caso não encontrarem uma boa formação e um estilo de jogo consistente, encontrarão dificuldades ao decorrer da Copa do Mundo FIFA 2014.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Adios España

A campeã do mundo Espanha fez uma Copa do Mundo muito abaixo da que fez em 2010, sendo eliminada na primeira fase. Esse post visa analisar o que aconteceu com a Espanha.

Para iniciar o post, quero ressaltar que eu já havia falado aqui no post que fiz a prévia da Copa que a Espanha não era mais a mesma de 2010, não tinha mais a mesma paciência para envolver os adversários, o mesmo toque de bola, além da idade estar pesando em alguns jogadores, como Xavi.

Isso que eu havia falado aconteceu mas não foi só isso. A Espanha foi pife. Só quem procurou jogar nos dois jogos foi Iniesta e David Silva. Diego Costa quando acionado buscava fazer algo, mas sem o brilho que teve no Atlético de Madrid, além disso, a bola chegou pouco.

Sem desmerecer os adversários, Holanda e Chile, que jogaram muito, a Espanha foi muito mal, tinha ter feito mais.

Com relação a escalação, as substituições e a convocação, o técnico não levou o Carvajal, lateral direito do Real Madrid, que fez uma excelente temporada, foi campeão europeu, mas acabou sendo cortado, dando lugar a Azpilicueta, reserva do Chelsea. Havia no elenco, também, Juanfran que fez uma boa temporada pelo Atlético de Madrid, mas mesmo assim Azpilicueta, que é fraco, acabou jogando.

Xavi fez uma péssima primeira partida, não vinha fazendo uma boa temporada, e acabou indo corretamente pra reserva no segundo jogo, mas a substituição foi errada. Era pra ter jogado Juan Mata, não o Pedro e, muito menos, colocar o Cazorla substituindo o Pedro, não colocando o Mata em momento nenhum da partida contra o Chile.

É claro que não pode culpar um ou dois jogadores, nem o técnico, mas a Espanha errou, como um todo, e acabou saindo feio.

Com relação ao esquema tático, o toque de bola é muito bonito, mas não vem dando certo desde a Copa das Confederações. Na minha opinião isso acontece porque Pep Guardiola não é mais o treinador do Barcelona. O Pep, indiretamente, treinava o toque de bola no Barcelona, e os jogadores do Barcelona acabavam levando essa troca de passes para a seleção.

Um time tem que ter mais de uma forma de vencer, a Espanha vem só se baseando no toque de bola e só ter uma forma de jogar é muito pouco para alguém ser campeão do mundo... Deu certo em 2010, mas era um outro momento. 4 anos atrás o tic-taca encantou, mas hoje é muito pouco.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

PRIMEIRA RODADA, SEGUNDO DIA DE COPA DO MUNDO.


     Primeiramente, o brasileiro tinha a arbitragem como preocupação no Brasil, porém nesse inicio de copa vemos uma coleção de erros. Um pênalti e inúmeros erros menores após um bom primeiro tempo, no jogo Brasil x Croácia, foram apenas o início de um show de horrores da arbitragem, padrão FIFA.

                                         MÉXICO 1 x 0 CAMARÕES

    Quem esperava uma boa partida, com bastante equilíbrio errou. Até foi um bom jogo, mas o México foi muito superior e poderia ter se complicado na tabela graças a dois gols mal anulados, por impedimento. Foi um time veloz e eficaz na marcação, em uma atuação inspirada de dos Santos, mostrou ser consistente e quebrando a esperança dos camaroneses em Eto’o que apesar de ter liberdade pelo esquema tático proposto, pouco fez e mostrou estar fora de ritmo e forma física.

     Com a torcida a favor, a equipe mexicana logo na primeira etapa, fez dois gols. Porém ambos anulados de forma equivocada, sem tomar sustos na defesa, atacaram de forma consistente enfrentando um time bem recuado. Mesmo sofrendo com faltas fortes e erros de arbitragem o time não “perdeu a cabeça” e foi contemplado com um gol após boa troca de passes. Até que Camarões tentou uma reação, mas já era tarde e estavam desgastados fisicamente, dessa forma México fica em segundo no grupo atrás do Brasil.

                                      ESPANHA 1 x 5 HOLANDA

      Melhor jogo até o momento, repleto de emoção, golaços e muita vontade. Assim que a abola rolou a Holanda surpreendeu pela forte marcação e a postura ofensiva, e assim foi à primeira chance, em que, o Robben deixou o Sneijder de frente com Casillas que fez uma excelente defesa. Após o lance a Espanha reagiu e tomou conta da partida com o famoso “tiki-taka”, durou pouco, mas serviu para abrir o placar, em um lance duvidoso o árbitro deu pênalti que Xabi Alonso bateu com muita precisão. Se Sneidjer perdeu para a Holanda, Davi Silva perdeu um gol cara a cara com o arqueiro holandês, ao tentar fazer um gol por cobertura. A Espanha estava melhor até que um lance espetacular contempla os amantes do futebol, Blind faz um lançamento primoroso, de dar inveja a Gerson, para Van Persie que ao ver Casillas adiantado finaliza com um cabeceio perfeito encobrindo o goleiro. Encerrando o primeiro tempo.

    A Holanda voltou para o jogo com muita vontade e esperançosos por uma vingança da final da copa de 2010. Enquanto que a Espanha não voltou, bom pode ser interpretado dessa forma, pois começou o massacre holandês. Robben fez o primeiro dele após mais uma assistência de Blind, e aos 19 minutos, com a cobrança de falta fechada Casillas sofre falta, não registrada pelo árbitro e De Vrij fez o terceiro gol da Holanda. Com esse placar a Espanha ficou desnorteada e em um recuo para o goleiro, Casillas domina mal e ao fazer pressão, Van Persie rouba a bola e faz o quarto gol da seleção holandesa. Aos 34 minutos Robben ganha na corrida de Piqué fica na frente do goleiro espanhol e faz à parada e “corta” para a esquerda, com isso Casillas fica no chão os zagueiros tentando tampar o gol, que de nada adianta, pois Robben chuta colocado e encerra a vitória em 5 x 1. Para completar, depois de bobeada da zaga, no finalzinho a bola sobra nos pés de Fernando Torres que ao tentar o corte, perde a bola para Blind que fez uma ótima partida ao lado de Robben e Van Persie.       

                                             CHILE 3 x 1 AUSTRÁLIA

       Com um começo avassalador, esperávamos uma goleada histórica, porém o Chile relaxou e a Austrália equilibrou a partida. A seleção chilena estava jogando em casa praticamente, uma torcida apoiando muito, e que imitou a torcida brasileira ao cantar o resto do hino à capela.

     Com uma marcação pressão e um jogo de muita posse de bola, o Chile não demorou muito e abriu o placar com Sánchez com uma sobra, após bola aérea. E em seguida Valdívia amplia depois de uma jogada muito bem trabalhada. Mesmo precisando melhorar o saldo, o Chile diminuiu o ritmo, devido ao calor e o desgaste, e no final do primeiro tempo, Cahill diminuiu.

     O segundo tempo foi mais equilibrado, e a limitada seleção australiana, quase empata a partida e assim caminhou o jogo de forma morna e a Austrália apostando no jogo aéreo devido à baixa estatura da defesa chilena. E no fim o Chile fecha o caixão em um rebote do goleiro.

Copa do Mundo - Prévia - Parte 2

Inglaterra

O English Team chega renovado e menos badalado que nas últimas Copas, porém, com um time mais competitivo. Com a medida certa entre a juventude de Sterling e Sturridge, e a experiência de Rooney e Gerrard, a Inglaterra vem comendo o mingau pelas beiradas, e pode levantar a taça.
Tem um bom goleiro, uma defesa consistente e dois meias muito bons (Gerrard e Rooney).
Se a Inglaterra jogar a lá Liverpool, tem muitas chances de conquistar o bi campeonato, porém, se for um time mais tradicional será mais difícil, porém, não impossível.
Outra agradável surpresa pode ser o atacante Lambert, que mesmo já tendo certa idade, é um bom jogador e está bem. Nunca jogou em times grandes, por isso talvez seja desconhecido no Brasil, mas tem bom futebol, se coloca bem e faz gol. Seu estilo de jogo e nível técnico lembra muito a Fred e Klose - os 3 se equivalem como jogadores.

Uruguai

Após uma excelente Copa em 2010 e o título da Copa América posteriormente, o Uruguai fez uma eliminatórias ruim e acabou indo pra repescagem.
Suarez e Cavani são as principais armas para o time tentar repetir o Maracanazo de 50. Não vejo o Uruguai como favorito ao título, principalmente por causa de sua defesa ser fraca, mas a qualidade de seus atacantes faz o sonho do tri possível.

Itália

A Azzurra vem renovada, mas mantendo peças fundamentais de Copas passadas (Pirlo e Buffon), porém, Pirlo já não é mais o mesmo devido a idade, mas mesmo assim tem uma técnica fenomenal. Sua principal queda de rendimento está no quesito físico, que é bem inferior ao de Copas passadas. Buffon vem sentindo menos a idade, talvez por ser goleiro e não ter que correr. Continua com o reflexo apurado.
A Itália corre por fora, mas nunca pode ser descartada como candidata ao título.
O futuro da Itália parece estar garantido, com Immobile como possível futuro craque, mas, atualmente o time ainda não é o ideal.

Grupo D

O grupo D é um dos mais difíceis da Copa, por reunir 7 títulos mundiais. Ao meu ver Inglaterra fatura o primeiro lugar do grupo, e Uruguai e Itália decidem a vaga de segundo lugar. Porém, os dois classificados do grupo devem passar das oitavas, pois cruzam com o grupo C, o mais fraco da Copa.

Grupo C

Com Colômbia, Japão, Costa do Marfim e Grécia é o grupo mais fraco da Copa. Seus dois primeiros colocados devem ser eliminados nas oitavas, porém, mesmo sendo fraco deve ser um grupo interessante de se assistir nessa primeira fase, devido ao equilíbrio de suas equipes.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Revelações da Copa (Parte 3) - Ivan Rakitic


  Espanhol, italiano, inglês, brasileiro, argentino? Nada disso, o personagem de hoje é croata, isso mesmo, atua em um país que vem crescendo no seu futebol. O meia Ivan Rakitic, de 26 anos de idade, acaba de acertar (por meio de empresários e agentes) sua transferência para o Barcelona, mas o que fez o time catalão virar seus olhos para "um croata"?! Tentarei explicar de onde vem a tranquilidade, precisão e disposição desse grande jogador que aos poucos vem ganhando destaque mundial.

 Rakitic começou sua carreira no simpático, famoso e gigante suíço, Basel. Aos poucos foi desenvolvendo seu futebol, jogando um pouco mais adiantado, perto dos atacantes, Rakitic fez 33 jogos e balançou as redes 11 vezes. Individualmente Rakitic ainda faturou o prêmio de melhor jogador jovem da Super League e o gol mais bonito da Suíça contra a equipe do St. Gallen, ambos prêmios na temporada 2006/07.
Tendo feito exibições fantásticas com a camisa do clube suíço, o jovem meia queria mais visibilidade, e foi o que conseguiu no dia 22 de junho de 2007, ao ser anunciado pelo Schalke 04 em uma compra realizada pelos alemães de 5 milhões de euros. Na sua primeira temporada teve um enorme destaque, pela Bundesliga, finalizando sua campanha com 29 partidas, 3 gols e 10 assistências, e uma nova posição, Rakitic passaria a jogar um pouco mais recuado, de segundo volante, sendo essa posição a mais seguida por toda sua carreira, inclusive no Sevilla, time para o qual se transferiria em 2011. 
 Rakitic chegou no time espanhol do Sevilla já no meio da temporada europeia, em janeiro, foi titular em 13 jogos com 5 gols apontados até sua contusão no pé o afastar do campo, no fim da temporada europeia, o que fez o croata perder os últimos quatro jogos da campanha.
 Já em 2012 Rakitic recebeu um novo desafio, fazer o papel de primeiro volante, com seu papel em campo completamente trocado, Rakitic chamou atenção mais ainda dos gigantes da europa, e na temporada 2013/2014 passou a ser capitão da equipe espanhola, o que deixou os clubes grandes ainda mais encantados com seu espírito de liderança e criatividade em campo. Atraído pelo meia, o Barcelona não titubeou e oficializou a contratação do meia há poucos dias atrás, o valor ainda é um mistério. Acredita-se que o meia vai à Cataluña com a difícil missão de ser o substituto de um ídolo dos azuis-grená, Xavi, que deverá ser negociado para fora do país após a copa do mundo.

Rakitic se destaca em campo pela sua polivalência, a sua capacidade de atuar em várias posições, e alternar os lados do campo com frequência confunde qualquer tipo de marcação, que deve redobrar suas atenções contra o meia croata. Pra piorar a vida dos adversários, Rakitic possui a calma absurda de um jogador da posição, o que o faz conseguir sair de muitas jogadas perigosas com extrema facilidade, aliando-se a isso tem a precisão assustadora nos seus passes, que encontram com facilidade os jogadores da sua equipe. Acredita-se que ao lado de Modric, a Croácia estará bem servida nessa copa do mundo, pois falta de "bola redonda" os atacantes não terão.


3 pontos na conta do árbitro

Brasil X Croácia se enfrentaram na estréia da Copa. O "melhor" em campo a favor do Brasil foi o árbitro japonês Nishimura, que em um PÊNALTI VERGONHOSO E INEXISTENTE mudou o jogo prejudicando a Croácia.

O primeiro tempo foi nervoso, por ser estréia, os dois times se mostraram tensos. A Croácia abriu o placar em um contra-ataque, um gol contra de Marcelo. O empate brasileiro veio ainda no primeiro tempo, com gol de Neymar de fora da área.

O segundo tempo continuou equilibrado, porém o juiz roubou, digo errou, marcando um pênalti inexistente que levou o Brasil a virada. Após sofrer a virada a Croácia partiu pro ataque e acabou tomando um gol de contra-ataque, marcado por Oscar. Placar final Brasil 3 X 1 Croácia.

No geral, foi um jogo bem equilibrado, os dois times jogaram de igual para igual. Os dois gols de diferença não representam o que foi o jogo. O único diferencial da partida foi o árbitro que influenciou drasticamente no placar da partida.

Pelo Brasil Neymar jogou bem, Oscar e L. Gustavo, sendo os melhores em campo. Pela Croácia, o meio de campo, com Modric e Rakitic foi muito bem. Os piores em campo foram Marcelo, não pelo gol contra e sim pelas bolas nas costas que tomou, principalmente no segundo tempo, no período que a Croácia tentou ir pra cima; o goleiro Julio Cesar, que rebateu bolas pro meio; e o goleiro croata, Pletikosa, que demorou a cair no primeiro gol do Brasil e, ao longo da partida, saiu mal em várias bolas.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Copa do Mundo 2014 - Prévia - Parte 1

Quem vai levar esta taça cuja réplica (minha réplica o/) está a sua esquerda? Será o anfitrião Brasil? A tetra campeã e renovada Itália? A favorita Alemanha? A Argentina, time de Messi e Di Maria? O Uruguai repete a façanha de 50? Gerrard e Rooney levam o English Team ao seu 2º título? A França, pouco cogitada, surpreende e leva a taça? A Espanha consegue ser bicampeã consecutivamente? Ou teremos um campeão inédito, como Portugal, seleção do melhor do mundo; Bélgica ou Holanda?

Quem vai levar a taça ninguém sabe, porém, esse post (dividido em 3 partes) visa fazer uma análise de todas as seleções. Uma análise mais à fundo e específica de cada seleção será feita posteriormente por mim e pelos outros autores do blog (Sancler e Lucas). Para ver o post do Lucas sobre a Argentina clique aqui.

Brasil
Depois de dias eliminações consecutivas em quartas-de-final, para França e Holanda em 2006 e 2010 respectivamente, o Brasil chega com uma obrigação maior de ganhar a Copa, por estar sediando o torneio.
Adotando o técnico da ultima conquista (em 2002), Felipão mudou o espírito da equipe e isso deu pra sentir na Copa das Confederações ano passado. Eu não gosto do Felipão como pessoa, o acho mascarado, prepotente, e como profissional ele não convoca quem merece, convoca quem ele quer levando a seleção para o lado pessoal. Não gosto dele, mas como treinador, tenho que admitir que ele vem fazendo um bom trabalho com a seleção.
O time é, em sua maioria, inexperiente em participações em Copas. Essa será a primeira Copa dos principais jogadores do time, o que pode ser ruim, um peso à mais.
Os principais destaque são Oscar e Neymar. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, eu acho o Oscar melhor, pelo menos, mais útil. Neymar só pensa em aparecer e em driblar, na Copa das Confederações ele foi objetivo, apresentando um bom futebol. Pro Brasil é bom que ele jogue sério e pra frente, sem palhaçada. No resto o Brasil tem a melhor defesa da Copa, um goleiro bom porém velho, um meio de campo bem mais fraco que o meio dos concorrentes direto pelo título e um ataque oportunista - Fred e Jô se colocam bem, são oportunistas e fazem gol, porém, com a bola no pé são fracos, sendo, apenas, jogadores de um toque só.
O grupo do Brasil, na primeira fase da Copa é fácil. O jogo mais difícil será contra a Croácia na estréia, jogo que o Brasil pode perder. Porém, mesmo que não tenha um resultado positivo contra a Croácia, se classificará sem problemas, pois Mexico e Camarões são seleções bem fracas. O maior problema para o possível título do Brasil não se concretizar será a segunda fase, com uma possível oitavas de final contra ou Chile ou Holanda ou Espanha, quartas de final contra ou Inglaterra ou Itália ou Uruguai, e semi final contra a Alemanha. Uma derrota em qualquer um desses jogos não é nenhum surpresa. Pode ganhar os três? Pode. Mas pode perder também, qualquer um dos três. Não falei sobre a final, pois, se chegar na final, ganha.

Espanha

Lá Fúria Roja, atual campeã do mundo, não é mais a mesma de 2010. Não tem mais a mesma paciência para envolver os adversários, o mesmo toque de bola, além dos 4 anos a mais terem pesado em alguns jogadores como Xavi, que de longe não é mais o mesmo, além de Puyol que se aposentou.
Iniesta, autor do gol do título de 2010, continua jogando bem. Sentiu os 4 anos a mais na idade? Sim, sentiu. Esse fator está empobrecendo um pouco o seu futebol, porém não feito está fazendo com Xavi. Já Casillas não fica velho de jeito nenhum, continua tão genial feito em 2010.
Sergio Ramos e Xabi Alonso evoluíram em relação a 2010, e chegam para Copa em boa fase. Também podemos destacar David Silva, Carvajal e Diego Costa, novos em relação a 2010, porém chegam muito bem para essa Copa.
Diego Costa, o brasileiro naturalizado espanhol viveu uma espécie de novela até chegar nessa Copa do Mundo. Primeiro, disse que jogaria pelo Brasil, porém, recebeu uma resposta negativa de Felipão - o treinador brasileiro disse não querer o atleta jogando pelo Brasil, abrindo mão dele (o que pode vir a ser bem prejudicial para o Brasil, pois o Diego Costa é melhor que os centroavantes convocados por Felipão).
Não podemos desconsiderar a Espanha como candidata ao título, tem chance de ganhar, porém, tem um time inferior ao de 2010.

Holanda

No grupo B, ao lado de Espanha, Austrália e Chile, a Holanda chega muito renovada, com um time bem jovem.
Confesso que não acompanho a Eredivisie, então, desconheço a maioria dos garotos, porém, posso afirmar que se jogadores como Cliesen e De Vrij foram convocados é porque tem merecimentos.
Veteranos como Robben, van Persie e van Buyten continuam. van Persie e Robben são as estrelas do time, e podem brilhar, decidindo a Copa dando o primeiro título mundial para a Holanda, mas no geral é um time jovem, que a maior parte de seus jogadores chegas para sua primeira Copa. van Gaal é um bom treinador, que pode dar liga a esse time, levando-o ao título.

No grupo B Holanda e Espanha são as favoritas, porém, o Chile pode ficar com uma das vagas, eliminando uma das finalistas do mundial de 2010. O time do Chile é bem interessante, com o meia Vidal da Juventus e Alexis do Barcelona como destaque.

Amanhã eu posto a parte 2 e na sexta a parte 3 dessa análise. Se gostou, compartilhe, curta :D

terça-feira, 10 de junho de 2014

A Copa de 50 pelos olhos de quem a assistiu

O meu avô assistiu a Copa de 50. Então, eu resolvi entrevista-lo e colocar aqui pra vocês.
As minhas perguntas são antecedidas por um -.
As respostas dele são longas, ocupam vários parágrafos e estão entre aspas "" e com cor verde.
Nas respostas eu coloquei informações adicionais entre [ ], informações que ele não falou, mas pra completar a informação pra vocês, eu achei melhor assim, com cor preta.

- Início da entrevista -

- Me fale tudo que você lembra da Copa de 50?

          "Eu vi todos os jogos do Brasil, eu não me lembro direito, mas acho que o Brasil ganhou de 6 X 1 da Espanha, de 7 X 1 da Suécia, 4 X 0 do México. O jogo mais difícil foi em São Paulo, contra a Suíça, foi 1 X 0 com um gol do Alfredo do Vasco.
          O jogo aqui contra o Uruguai o Brasil jogava pelo empate, porque naquele tempo era por pontos perdidos. O Brasil não tinha nenhum ponto perdido e o Uruguai tinha um ponto perdido porque tinha empatado com a Espanha. O Brasil jogava pelo empate. O Brasil fez 1 X 0 no segundo tempo com gol do Friaça e tomou dois gols de contra-ataque do Uruguai. Time que está ganhando não pode tomar dois gols de contra-ataque, ainda mais numa Copa do Mundo.
          O Bigode era fraco, o lateral esquerdo. O Flávio Costa [técnico do Brasil na Copa] não colocava o Nilton Santos, que foi considerado o melhor back do mundo, mas o Flávio Costa não sabia, ou fingia que não sabia, aí colocava o Bigode. Eles tomaram dois gols de contra-ataque [na partida contra o Uruguai], o primeiro do Schiaffino e o segundo do Ghiggia. Todo mundo culpa o Barbosa.
          Espero que não repitam isso agora, o Brasil pode ganhar, embora agora seja muito mais equilibrado do que era.
          A concentração [da seleção brasileira] era em São Januário. La no Vasco, em baixo da arquibancada, tem dormitórios, e a seleção ficou lá. Acho que foi lá, eles não foram pra lugar nenhum não. Eles ficaram em São Januário e todo mundo entrava e saia de São Januário a noite toda, na noite anterior ao jogo [contra o Uruguai], ninguém se preparou pro jogo, porque estavam achando que dava pra ganhar fácil e o Uruguai nunca é fácil.
          Naquele tempo se teve uma noção muito errada do futebol na Europa, porque a Europa vinha da guerra, a guerra acabou em 45, então o que eles jogavam de futebol tinha muito pouco tempo [devido a preparação ter sido apenas nos anos do pós guerra] para um país disputar uma Copa no nível do Brasil, Argentina e Uruguai, porque a recuperação do futebol [europeu] foi de 5 anos, o que deve ser muito pouco. Por isso deu uma ideia errada de que o futebol da Europa era fraco, e não tem nada de fraco, eles não tiveram tempo de se ajeitar porque vieram da guerra, que tinha durado de 38 a 45. A guerra pegou todo mundo, inclusive os jogadores de futebol que fazem parte do povo. Alguns países foram completamente arrasados na guerra.
          Na minha opinião o Barbosa não teve culpa [dos gols sofridos contra o Uruguai]. O Brasil tava ganhando de 1 X 0 e jogava pelo empate. Com a torcida toda gritando o Brasil foi pro ataque, o que foi completamente errado, não tinha que ir pro ataque, tinha que deixar o Uruguai ir pro ataque e jogar de contra-ataque, mas aconteceu o contrário, o Uruguai que jogou de contra-ataque. O Ghiggia em uma jogada passou pelo bigode que era um lateral esquerdo fraco, entrou pela área pela direita, o Barbosa encostou [na trave], ele [Ghiggia] atravessou a bola pro Schiaffino que vinha chegando, vinha sozinho porque o Juvenal e o Bauer chegaram atrasados. O resto da defesa chegou todo mundo atrasado. Ninguém estava contando com isso, todo mundo achava que o jogo era fácil. E o segundo gol foi igual, o Ghiggia pegou a bola no meio de campo, passou pelo Bigode e entrou na área, o Barbosa abriu por causa do primeiro gol, para cercar o passe pro Schiaffino que já vinha chegando, nisso que ele abriu, o Ghiggia colocou a bola no espaço entre a baliza e o Barbosa, sem força, mas o Barbosa tinha jogado o corpo pra direita pra cercar o passe e não deu pra voltar. Culparam o Barbosa sozinho, mas o culpado foi todo mundo.
          O time, se não me engano foi o mesmo a Copa toda, era Barbosa; Augusto e Juvenal; Eli, Danilo e Jorge; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Antigamente era assim que escalava: o goleiro, dois backs, três alfs e cinco atacantes. O escrete todo era do Vasco e do Flamengo e botaram o Bigode no time porque só tinha Vasco e Flamengo no time, o Bigode era do Fluminense, e o absurdo é que o reserva do Bigode era o Nilton Santos.
          No jogo em São Paulo [Brasil 1 X 0 Suíça] o Flávio Costa, pra agradar o pessoal de São Paulo, colocou os três alfs do São Paulo, tirou Eli, Danilo e Jorge. O Friaça eu acho que tava machucado, o Alfredo, que também era do Vasco entrou no lugar dele e fez o gol. O Brasil ganhou da Suíça por 1 X 0.
          Eu só não vi Brasil X Suíça que foi em São Paulo, eu vi Brasil X Uruguai que foi a final, Brasil X Espanha, Brasil X Suécia e mais o que... Me lembro de Brasil X México, mas não me lembro como era dividido não [em grupos ou não, como que era pra ir passando de fase].
          Ninguém levava em consideração os times da Europa."

- A Inglaterra veio?

          "A Inglaterra veio, perdeu pros EUA de 1 X 0. Foi uma zebra danada. Mas eles eram da outra chave.
          Os times europeus eram considerados fracos. O Brasil ganhou da Suécia de 7 X 1, eu acho e da Espanha de 6 X 1. No jogo contra a Espanha o Maracanã todo cantou a música 'Eu fui as touradas de Madrid...'"

- Você ficou aonde no Maracanã?

          "Na bandeirinha de corner, do lado que tem as cadeiras, até hoje tem aquelas cadeiras no meio de campo [antes da reforma era o setor mais caro do Maracanã, que ficava de frente pras arquibancadas brancas, em cima da cabine de imprensa. Hoje eu não tenho certeza de que setor é], eu fiquei ali, do lado aonde fica a torcida do Flamengo, mas perto da bandeirinha [de escanteio], à esquerda das cabines [de imprensa]. Todos os jogos ali.
          Só que no último jogo... O Maracanã era uma arquibancada só, de cimento inteiriço, que dava volta. No último jogo, contra o Uruguai, tinha tanta gente que entre a pessoa sentada embaixo e em cima [no degrau de baixo e no degrau de cima], tinha outra pessoa de lado, vendo o jogo de lado pro campo. Sentado virado de lado pro campo, com a perna enfiada entre a bunda de um e os pés do outro. Todo mundo ficou mal acomodado, mas ficou assim."

- Como eram os ingressos? E como que vocês pegavam os ingressos?

          "Era de papel. O tio Valdemar [um tio do meu avô e, consequentemente, meu tio também. Eu n~~ao conheci esse tio Valdemar, pois ele morreu antes de eu nascer] comprava. Cada um ia com o seu ingresso na mão e aí entrava, mas já tinha roleta. Você entregava o ingresso aí rodava a roleta. O certo era rasgar a entrada, porque nego dizia que depois devolviam os ingressos para serem vendidos lá fora. Mas não rasgavam, e você não queria saber se rasgaram ou não, você queria entrar.
         Todo mundo achava que o Brasil ia ganhar fácil, e provavelmente ia mesmo, se não tivesse acontecido aquilo tudo. Passaram a noite [que antecedia a final] praticamente em claro, porque não deixavam eles dormir festejando [antecipadamente] a vitória da Copa.
      Quando nós chegamos no último jogo o Maracanã já estava cheio. O jogo era as cinco. Nós chegávamos três horas pra sentar na sombra."

- Em que mês que foi a Copa?

          "Junho e julho. Não era tanto calor assim."

- Fim da entrevista -

No decorrer do tempo do blog eu farei mais entrevistas com ele, sobre outros assuntos ligados a futebol e colocarei aqui pra vocês. Compartilhem, comentem, pois cada compartilhamento e comentário é um incentivo para a equipe do Sem Siro continuar.